Os quadrinhos como jamais vimos!

Antes publicar quadrinhos era algo que só se fazia quando você realmente gostava da coisa.
Ainda me lembro do dia em que eu tentei fazer uma HQ pela primeira vez. Eu estava muito empolgado com tantas edições que a editora Abril trazia para o país (é, naquela época o material nem era tão diversificado e a Abril reinava no mercado como Sauron na Terra Média), e também bastante influenciado por caras como Massami Kurumada, Akira Toriama… isso, tenho influências do mangá (alguém aqui já falou que o Cumercindo parece com o mestre Kami).
Naquela época vivíamos em um Brasil com Rede Manchete, Superaventuras Marvel, Chicletes Dinovo… Punky a Levada da Breca..

Os quadrinhso como nunca vimosOs quadrinhso como nunca vimos

“De lá pra cá” muita coisa mudou. Na verdade TUDO nos quadrinhos vem mudando desde o seu nascimento, alguns afirmam que datam de 1869. Mas acho que qualquer mídia realmente começa a mudar quando conversa com outras mídias, ou grande parte das mudanças vem disso.

Com as primeiras gargalhadas do Sombra nos programas de rádio (o personagem foi criado em 1931 pelo Walter B. Gibson), a conversa entre os quadrinhos, rádio e livros começou a ficar mais íntima. Foi como se eles, os quadrinhos e os livros, tivessem deixado de lado todo o puritanismo e se entregado definitivamente a paixão… deitaram-se e fizeram amor. Cito esse entre muitos outros “casos de amor”.

Atualmente vemos cada vez mais filmes, games, até CDs derivados de outra mídia. Há quem diga que muito desses não nasçam de uma relação amorosa, talvez sejam gerados de um e$tupro cometido por grandes empresas de entretenimento.
Mas uma coisa é certa: TUDO ESTÁ MUDANDO.

Antes era necessário sujar as mãos de nanquim pra poder fazer um desenho em uma página A4, depois clolorir na “munheca” (eu utilizava lápis aquereláveis). Bons tempos aqueles… eu tinha tempo pra ficar o dia todo desenhando.

Os quadrinhso como nunca vimosOs quadrinhso como nunca vimos

E hoje? Bom, hoje colorimos com tablets, utilizamos softwares, não sujamos nada e ainda por cima fazemos tudo em 1/8 do tempo. Gosto disso, mas sou um saudosista e não abro mão das minha canetas antigas nanquim. Estive pensando sobre isso tudo, em como tudo muda.

Os quadrinhos são de papel há mais de 100 anos e começo a sentir que isso também vai mudar. Trabalho com TI já estou acostumado com isso, mas adimito que é difícil de aceitar. Tem gente que baixa os “scans” das edições, salva em DVD e consegue dizer que tem a coleção completa de um determinado herói. Me desculpe parceito, mas se você tem todas só porque baixou uns scans, então eu acho que tenho um RX-7 da mazda no meu Memory Card (espero que eu não tenha perdido o save).

Quer ver a cara dos quadrinhos do futuro? ou pelomenos um modelo candidato? Então veja o trailer de Metal Gear Solid: Digital Graphic Novel:

Quando a Konami publicou as primeiras imagens eu fiquei muito animado. A arte de Ashley Woods mescladas  à trilha de Harry Gregson-Williams certamente daria uma experiencia completamente nova à Grafic Novel que foi lançada em 2004. Eles também utilizaram essa técnica em todas as animações de Metal Gear Solid Portable OPS, e deu certo.

Eu achei que iría parar por aí, mas veio mais. Recentemente a Marvel publicou um trailer de uma das suas edições de X-men com a técnica de Motion Comics.
Vejam:

Mas o que me fez penser realmeente sobre essa nova maneira de produzir os quadrinhos foi o que a DC fez. Foi lançado um Blu Ray Disc com TODO o conteúdo de Watchmen em motion comics. A digital grafic novel de Watchmen é narrada e trás uma trilha sonora digna de acompanhar desenrrolar da trama de Allan Moore e Dave Gibbons.

Será apenas uma tendência ou os quadrinhos em movimento estão aqui para ficar?
A primeira leva talvez nem fosse tão promissora (lembro de uns CD-ROMs ou algo parecido), mas com os avanços na área, acredito que vai pegar. As editoras sabem que muitos leitores estão recorrendo à pirataria e que devem mudar o modelo de negócio. Sem contar que é um ótimo meio de baratear e agilizar a produção, e ideal para a publicação na internet.

Droga… adeus cheirinho de gibi novo.

Lançamentos


Vote:
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (2 votes, average: 5,00 out of 5)
Loading ... Loading ...

6 Comentários para “Os quadrinhos como jamais vimos!”

  1. Elder MarcoNo Gravatar Falou:

    É meu caro.. acho que esse é o poder da tecnologia: transformar tudo e de maneira rápida ainda! Eu acho que essa é uma grande ferramenta de democratização porque permite que muitos sejam ouvidos e publiquem sua arte, aquilo que faz e sem ter muita dor de cabeça pra isso.

    Mas é notável essas mudanças. Eu mesmo já comparei várias vezes essas trilogias que de vez em quando surgem. Você percebe como as coisas avançam de um filme para o outro apenas observando-os e nem é tanto tempo assim que se passa entre esses filmes.

    Que o diga também as distribuições Linux! Pouco tempo de vida e quase na versão 100! :-)

    Com os quadrinhos não poderia ser diferente.. mas verdade seja dita, dá saudades não dá?? Eu tenho saudades da Rede Manchete, dos Cavaleiros do Zodíaco que sempre acompanhava, Samurai Warriors, Shurato e até de coisas que eu assistia quando mal tinha saído do berço: Jaspion, Kamen Raider.. (nem me lembro mais como se escreve esses nomes.. )

    Mas com certeza futuros adultos irão também sentir saudades do dia de hoje porque muitas coisas boas surgem nele.

    Mas eu ainda estou com saudades do Jaspion :-)

    []’s

    P.S.: Fui eu que falei que o vovô Cumercindo parece o mestre Kami. Safado que nem ele.. huahua

  2. wallissonNo Gravatar Falou:

    Concordo meu amigo, ainda mais quando você diz que tem saudades do Jaspion. Era a minha série japonesa (tokusatsu) ŕeferida cara. Ainda tenho a máscara dele nas minhas coisas de criança (uma caixa com o Título: COisas do Pequeno Wallisson, minha noiva fica rindo disso).
    Pois eu tenho uma notícia boa pra você! Eu até postei no meu Twitter um dia desses: Toda a série do Jaspion será lançada em DVD aqui no Brasil. E o melhor de tudo, com a dublagem da TV Manchete! http://heroi.uol.com.br/conteudo.php?id=2850

  3. Elder MarcoNo Gravatar Falou:

    Opa, sério cara? Vou dar uma olhada! :-D

    Obrigado pelo aviso.

    []’s

  4. AweyNo Gravatar Falou:

    Não acho que a coisa va virar a ponto de no futuro nos pegarem lendo HQ em uma maquina movida a bateria, acho que existem coisas que sao insubstituiveis por exemplo um Livro… eu não consigo imaginar o pessoal lendo um livro na net, mesmo que exista scans muita gente nao troca os originais pelos scans e ate mesmo muita gente nem gosta de ler em frente a um PC e logicamente acaba sendo mais desconfortavel, já o HQ creio eu que a graça da coisa é a imagem parada na sua frente, você pode leva-lo para qualquer local, ler de qualquer posição e principalmente imaginar a ação do seu próprio jeito coisa que talves o quadrinho virtual impossibilitasse! Mesmo que o quadrinho virtual ganhe seu publico por meu ver não existe como substituir o tradicional ou pelo menos nunca vai substituir todos os sentimentos que a pessoa tem des do momento que espera seu proximo número nas bancas ate o momento que termina de ler.

  5. wallissonNo Gravatar Falou:

    @Awey
    Olha, concordo quando fala:

    “… nunca vai substituir todos os sentimentos que a pessoa tem des do momento que espera seu proximo número nas bancas ate o momento que termina de ler.”

    Mas pense em toda a geração de leitores de quadrinhos que ainda está pra nascer.
    Em alguns anos eles nem saberão que a coisa era de papel.
    Amar os quadrinhos eles foram e como alguns ainda são hoje é um luxo que apenas os “old shools” podem ter.

    Eu adoro a forma como os meus quadrinhos ocupam espaço na minha casa, na estante. É uma pena que isso tudo possa acabar.

  6. AweyNo Gravatar Falou:

    @wallisson
    Eu intendo perfeitamente a teorida da morte cultural por parte das gerações, mas o que não compreendo é a RAZÃO desta digitalização das HQs uma vez que o mundo digital é concorrido por diversos tipos de mídia diferentes são elas principalmente filmes, games e seriados que passam emoções muito mais fortes do que o quadrinho digital e isso ninguem pode discordar! Intende o que eu quero dizer? O mundo literario é uma coisa diferente do mundo digital, enquanto temos HQs, Livros e Revistas nas bancas ou comics shops, temos Seriados, Filmes e Games no mundo digital são coisas parecidas que muitas vezes ate possuem publicos diferentes e que so transmitem emoções por possuirem uma barreira entre o digital e o impresso. E o principal problema chega agora:

    “Eu sou o vigia! E entre os muitos mundos alternativos que tenho observado esta aquele em que a literatura se tornou virtual! O que aconteceria se as HQs rompessem a barreira entre o digital e o impresso?” (rs não aguentei segurar a piadinha huauhahu Agora sério>)

    Se esta barreira fosse rompida concerteza seria os ultimos anos de vida das HQs, afinal uma HQ digital perderia suas principais emoções e para piorar estaria cocorrendo com a industria dos Games e Cinematográfica!
    Uma hora ia acabar perdendo o público pois o principal motivo do sucesso das HQs e qualquer outra forma de entretenimento é fruto das emoções ali contidas. Ou Seja uma HQ virtual não ultrapassaria as emoções contidas em um jogo de mundo aberto com o gráfico incrivelmente realista em que você controla tudo que seu personagem faz.

    Um exemplo mais gráfico dessa minha teoria: Suponha que alguem resolva virtualizar um livro mantendo seus textos, intão iriamos no cinema e teria esse livro no cartaz no meio de outros filmes cheios de efeitos especiais e tudo mais, é fato que o publico iria optar pelos filmes traducionais já que o livro seria apenas textos gigantescos e imagens congeladas. Meu exemplo pode ate se monstrar um pouco exagerado mas o que eu quero mostrar é a incompatibilidade das coisas, portanto a razão da digitalização é um assunto complexo e que deve ser discutido com cautela alias é a imprudencia que leva as coisas ao declinio

Vamos, deixe uma resposta